Centro de Memória da FEF realiza reestruturação do acervo arquivístico da faculdade
O trabalho iniciou há seis meses e de lá para cá avançou significativamente na consolidação de um acervo de documentos históricos organizado e classificado
Por Maria Suzana Santos*/Comunica FEF
Após a criação do Centro de Memória Professora Maria Helena Siqueira, a Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (FEF/UnB) deu mais um passo em direção à preservação da nossa história: a reestruturação do acervo arquivístico da FEF. O trabalho iniciou há seis meses e de lá para cá avançou significativamente na consolidação de um acervo de documentos históricos organizado e classificado. O material, acumulado por mais de 50 anos em uma sala no subsolo da faculdade, foi cuidadosamente examinado e tratado pelo arquivista Raimundo Mendes, com auxílio da historiadora Pilar Freitas e da estagiária Ana Anjos, sob coordenação das professoras e pesquisadoras Ingrid Wiggers e Alessandra Coimbra.
A pesquisa sobre a história da Educação Física, esporte e lazer na UnB, conduzida por Ingrid e Alessandra desde 2018, vinha coletando informações por meio de entrevistas orais com professores pioneiros da FEF, mas logo ficou claro que algumas lacunas dessa trajetória só poderiam ser preenchidas a partir de uma pesquisa documental. Para essa tarefa, Raimundo precisou desenvolver um plano de trabalho que abrangesse todo o conjunto documental da faculdade para estabelecer critérios arquivísticos de organização. Dentro da metodologia desenvolvida, foi utilizado um quadro de arranjo de documentos (QDA), instrumento de classificação arquivística específico para os documentos históricos do acervo. “É um dos instrumentos básicos quando se trata de organizar documentos históricos, de sistematizar fundos, séries, subséries, e item documental para um arquivo histórico ou dito permanente”, conta o arquivista. Ingrid destaca ainda que a reestruturação seguiu os procedimentos técnicos mais atualizados da arquivologia, utilizando a classificação de documentos oficiais públicos brasileiros.
Conheça o Inventário Sumário de Documentos Arquivísticos elaborado pelo CEMEFEF
De acordo com Ingrid, a parte mais satisfatória do trabalho é quando encontram um documento valioso dentro do acervo, proporcionando uma sensação de ligação com um passado que pode ser melhor compreendido a partir daquele momento. “É um processo emocionante, de aprendizagem e reconhecimento de personagens que construíram a FEF desde o seu início”, compartilha. Raimundo destaca que o trabalho realizado seguirá contribuindo para gerações futuras em suas pesquisas, e que os documentos também revelam os bastidores da história. “Depoimentos, conflitos e mediações, tanto de pessoas ditas ‘mais importantes’ da instituição, como também daqueles servidores e servidoras mais simples, que passaram pela faculdade e deixaram sua marca de trabalho, pesquisa, ensino e conhecimento”, conta o arquivista. Ele observa também que um arquivo bem organizado pode subsidiar decisões das mais diversas naturezas, como administrativa, fiscal, contábil, estatística, de pesquisa, ensino, extensão, seja para gestores, comunidade acadêmica ou para o cidadão comum.
Trajetória e desafios
Além das pesquisadoras do CEMEFEF e da equipe de Raimundo, também contribuíram para o processo de reestruturação do arquivo servidores da Secretaria Geral da FEF quanto à operacionalização de questões estrutural e logística, da aquisição de materiais de consumo indicados para a preservação de documentos (como caixa-arquivo, papel chambril, luvas, máscaras descartáveis e jaleco de proteção) e do apoio na área de patrimônio, em questões de ambiente de arquivo e estanterias. Outra contribuição importante foi a assessoria do Arquivo Central da UnB, que se dispôs a realizar em breve uma oficina para os atuais servidores da faculdade, em que repassarão orientações para uma melhor organização do fluxo de documentos daqui para frente. Mais informações, como a data e o horário da atividade, serão divulgadas assim que disponíveis.
Um dos maiores desafios enfrentados durante o trabalho foi o período em que o processo se deu, em meio a pandemia de Covid-19. “Com restrições de circulação, e por ser um projeto inovador para a FEF, gerou expectativas, momentos de ansiedade, de cuidados especiais e atenção redobrada em conciliar situações de riscos operacionais de trabalho”, lembra Raimundo. Além disso, em 2021, o subsolo da FEF passou por uma reforma que acabou gerando acúmulo de documentos de forma desordenada. A solução encontrada foi transferir a massa documental para um contêiner e, aos poucos, devolvê-la ao arquivo de forma organizada. Ingrid também recorda as dificuldades enfrentadas por conta das condições em que o material se encontrava: “além de desorganizado, estava muito sujo”. A professora conta que a recuperação de alguns papéis foi mais complicada, pois já se encontravam em estágio de deterioração.
Reconhecimento
Em 2021, a obra “História e memória da Educação Física na Universidade de Brasília”, resultado do trabalho desenvolvido pelas pesquisadoras do CEMEFEF, foi selecionada por meio do Edital EDU N° 5/2021 e aprovada pelo Conselho Editorial da Editora Universidade de Brasília e, portanto, será publicada em formato de livro em breve. “A nossa proposta de publicar as entrevistas com os professores pioneiros foi uma das obras escolhidas, o que deu grande satisfação a todos nós. Neste livro, tivemos a participação de muitos docentes da FEF e também familiares que homenagearam os professores pioneiros”, adianta Ingrid.
Outra contribuição do trabalho que vem sendo realizado pelo CEMEFEF será a possibilidade de implementação futura de uma linha de pesquisa sobre a História da Educação Física, Esporte e Lazer na UnB junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação Física (PPGEF-UnB). “Há um conjunto de dez centros de memória da educação física, esporte e lazer no Brasil, que representa uma conexão significativa para o CEMEFEF/UnB a nível nacional”, destaca Ingrid.
*Bolsista do projeto de extensão Comunica FEF.